em um momento fortuito me dei conta de que não sofria mais. sofrer por coisas pequenas ficou vergonhoso depois de conhecê-lo. não me senti neste direito.
em 2003, um tiro e ele nunca mais andou e fora isso nunca mais um monte de coisas que eu e você e todo mundo que já andou ama fazer e que agora ele não faz mais.
e trocando verbos e substantivos e etcs depois de uma semana inteira de tentativas e saudades e olhares e afins, eu senti vergonha de achar que sofria nessa minha vidinha fácil sob duas pernas eretas e fortes. nem o meu mais miserável sentimento poderia, na minha cabeça, ser sequer comparado.
burra eu. tão forte, tão lindo, tão bem e eu pré-julgando. ele é impressionante, confiante. corvade? nunca. ninguém nunca o viu desistir. não, ele definitivamente não é esse tipo de pessoa.
mas eu pensei em sofrimento. qualquer tipo de sofrimento e vi que é uma merda.
porque sofrimento é algo fedorento, que chega a feder como o beco mijado da402 sul. gruda e para na garganta e cria uma sensação foda de superar.
sentimento merda esse.
e durante o dia a gente procura, e até encontra, motivos para não lembrar, pra superar. porém de noite a coisa muda. é como se o travesseiro e o edredon exalassem o maldito odor.
mas pelo menos abandonei o sentimento merda de lado. ufa!
cof.
e eu não digo que estou amando. porra, não estou. muito cedo pra isso.
cof!
eu estou bem, feliz e muito orgulhosa de ter escutado que todo o seu destino é meu. porque é até piegas pra alguns, mas eu achei demais.
é bom voltar a sentir coisas, a acreditar em coisas. e esse relacionamento é sem dúvida muito diferente. não só pelas circustâncias físicas, mas por todo o contexto.
eu ainda acho que não estou pronta pra ser par. muitas vezes o ímpar parece funcionar melhor em mim, mas estou disposta a, lentamente, ir mudando de idéia.
mas será que é assim mesmo? qual o peso de ser ímpar e o de ser par?